terça-feira, 30 de junho de 2009

Tenho que dar o braço a torcer...


Com críticas que continuam a rondar os programas esportivos, sou obrigado a dizer obrigado... ao Dunga! Não esperava a chance de assistir a um espetáculo de alta emoção, o máximo que o torcedor pode pedir. Sim, porque o resto são apenas estratégias para conseguir o que foi visto. Os EUA são fracos? Não interessa, os EUA ganharam um título inédito: nunca haviam chegado tão longe numa competição internacional. Os EUA são fracos e o Brasil se beneficiou? Não interessa também, a amarelinha deu uma bonita demonstracão de superação psicológica, de jogo de equipe, mostrou seus heróis em campo. Portanto, um jogo romântico. Como a tempos eu não via.

Mas o que isso tem a ver com o ambiente? Pra mim que abri a semana fazendo analogias com a seleção canarinha, bastante. E, assim como foi pro Dunga, tenho que dar o braço a torcer pro Greenpeace. Sim, pois esta pop-king-ong internacional conseguiu um resultado por muitos sonhados e sem resultados até então: abalar a raiz da principal causa do desmatamento amazônico. Sim, escrevam sobre isso jornais, divulguem o feito!!! Este mês, tive a chance de participar de várias atividades com o SOS Mata Atlântica e público em geral. E o mais curioso é que perguntei, persistentemente a mais de 200 pessoas "Qual é a principal causa do desmatamento da Amazônia, na sua opinião?". Que me lembre, tirando 6 crianças que acertaram, o coletivo popular impera: as madeireiras. E esticando a prosa, é quase unânime: as madeireiras desmatam pra, em grande parte exportar ilegalmente as nossas madeiras tropicais pra países que pagam por isso, como os da União Européia... e aí, nos resignamos com o último pensamento: nada a fazer, ainda nos usam como colônia.

Não dá pra dizer "nada disso", pois há uma cota de verdade nisso, afinal, o mercado de exploração ilícita continua retirando não apenas nossas árvores, mas das últimas remanescentes de florestas tropicais em Gana na África ou em Bornéu, na Ásia. Mas se quisessemos ajudar a diminuir o desmatamento irracional da Amazônia, que podemos fazer nós, pacatos cidadãos? E aí, é que não me canso de pensar na tacada do Greenpeace: Genial caras!
Depois de 3 anos investigando, lançado este mês o relatório "A Farra do Boi", que não apenas desmascara números até agora desconhecidos, mas também nos coloca na posição de réus, junto com outras grandes corporações. Resumidamente, e o que vocês devem lembrar e associar ao desmatamento da Amazônia é: PICANHA! Sim, a criação de gado de corte é a maior responsável de longe pelo desmatamento da floreste densa chuvosa brasileira. Segundo o Greenpeace, "A indústria da pecuária na Amazônia brasileira é responsável por um em cada oito hectares destruídos globalmente. ". Muito já se falava sobre isso entre os ambientalistas. O que não se havia feito até então é ter dado nome aos bois, literalmente. Nesse relatório, o Greenpeace mostra a rota da devastação: "evidências ligam a cadeia contaminada de produtos amazônicos aos fornecedores de muitas marcas reconhecidas mundialmente, incluindo uma longa lista das chamadas empresas ‘Blue Chip’ (‘ações de primeira linha’): Adidas, BMW, Carrefour, EuroStar, Ford, Honda, Gucci, IKEA, Kraft, Nike, Tesco, Toyota, Wal-Mart."

E a lista não pára: o couro também vai terminar em artigos de luxo da Boss, Geox, Gucci, Hilfiger, Louis Vuitton e Prada. Empresas européias usam na confecção de vagões de trem: Trenitalia, Eurostar Group, Cisalpino AG (todas italianas) e as francesas SNCF e Thalys International. Refeições prontas vendidas em super ou lojas de conveniência na Inglaterra: 6,3% do consumido lá vem dos 3 frigoríficos brasileiros. Unilever, Johnson & Johnson e Colgate Palmolive compram a glicerina, produto bovino da Bertin.


Bom, como vocês podem imaginar, a divulgação dessa cadeia simplesmente arrebentou com o maior produtor de carne do mundo.

E teje dito. Num país onde o senado se "dana pra opinião pública", esses frigoríficos operavam sem medo do que os stakeholders (falo deles numa próxima) poderiam pensar. Verifiquei e vi que nenhum deles possui Relatório de Sustentabilidade... claro. Mas a casa caiu. Quais foram os capítulos da novela, na sequência?

- A Associação de Supermercados de SP, representando os distribuidores (Wal-Mart, Carrefour e Pão de Açucar) : Só compro carne se comprovar que a origem não é da Amazônia Ilegal

- A Adidas: Bertin, queremos uma reunião já, aqui na Alemanha, com um representante do Greenpeace presente. Não compramos mais couro que não tenha certificado de origem...

- IFC (Corporação Financeira Internacional), braço financeiro do Banco Mundial para o setor privado, anunciou que vai descontinuar a parceria com a Bertin, que incluía um empréstimo de US$ 90 milhões para que a empresa frigorífica brasileira expandisse suas operações na Amazônia. O valor ainda pendente do financiamento, no valor de US$ 30 milhões, será cancelado.

- Os frigoríficos: Essa ONG estrangeira deve ser expulsa do país. Vamos processá-los

- Nossos políticos... bom é só ver no próximo post, o que esses canalhas fizeram... até se enrolaram na bandeira brasileira.. mas de patriotismo nada, pura sem-vergonhice (mais uma vez)
Pois é... tenho que dar o braço a torcer... o que o Dunga e o Greenpeace fizeram, cada um à sua maneira, mudaram o rumo das coisas... pelo menos por enquanto!

sexta-feira, 26 de junho de 2009

O incrível linguajar das Bactérias

http://www.ted.com/talks/lang/por_br/bonnie_bassler_on_how_bacteria_communicate.html


Esta é mais uma daquelas apresentações em que a vontade de expandir seus conhecimentos traz ventos de esperança. Esperança que a ciência nos ajude, através do seu incomparável numérico exército: somando-se todos os cientistas da história humana, não chegamos ao atual número de cientistas vivos. Melhor que isso: interagindo multidisciplinarmente e gerando conhecimento que dobra a cada 3 anos.
Esta maravilhosa apresentação de Bonnie Bassler sobre o mecanismo químico de comunicação entre bactérias e sua replicação desse modo nas células que estruturam nosso corpo, atestam o assombroso e imprevisível que é a era a qual estamos adentrando.

Agradeço a amiga Nina Orlow, do Movimento Nossa São Paulo, pelo presente enviado!





segunda-feira, 15 de junho de 2009

Nosso Planeta, Nossa Casa...

Sou obrigado a postar sobre este documentário. Dentre as toneladas de informações que leio por semana de assuntos pertinentes ao ambiente, este documentário, filmado totalmente em alta definição (HD) numa sequência de tomadas aéreas de 54 países e 120 locais, e produzido por Jean Luc Besson e Denis Carot, essa desnorteou, ou melhor, norteou pra onde devem continuar os esforços. "Home, Nosso Planeta, Nossa Casa" é o exemplo clássico de "uma fotografia valem mil palavras". No caso do documentário de aproximadamente 98 minutos de duração, deixa-nos sem palavras. Primeiramente pela magnífica fotografia de Yann Arthus-Bertrand, com 500 horas de filmagem através de 217 dias em 18 meses. Segundo pela maravilhosa trilha sonora de Armand Amar, que por si só, é atriz coadjuvante da narração.Terceiro, por que é mais um soco no estômago sobre a verdade do efeito antrópico sobre nossa nave, Gaia. Depois de uma sequência hollywodiana, onde Al Gore alertou, através de "Uma Verdade Inconveniente", Wall-e (Pixar) nos emocionou em seu filme homônimo e "Terra" da Disney nos mostrou, essa produção francesa é realmente deslumbrante, e ao mesmo tempo, frustrante. O filme traz mais méritos ainda. Foi lançado simultaneamente em 87 países, com catraca livre nos cinemas ou apresentações gratuitas fora das salinhas. Foi o caso das lojas FNAC no Brasil, um dos apoiadores da produção. Além disso, países como Portugal tiveram sua transmissão em canal aberto. Mas a maneira mais democrática de distribuição torna o filme um marco: a disponibilização do documentário em 14 línguas no YOUTUBE, em alta definição. Eu mesmo o assisti 2 vezes assim. Pena que ainda não consegui manter a alta definição ao baixá-lo para meu IPOD. Sim, porque esse é mais um daqueles filmes para se assistir na casa do Romuliche, noite de sábado, depois do truco. Não vejo a hora do DVD sair por aqui. O filme teve estardalhaço de estréia no dia 5 de Junho. Não poderia ser outra data a não ser essa: dia mundial do meio-ambiente. E nós no Brasil não poderíamos assiti-lo num momento mais propício, quando ainda sofremos a ressaca da MP 458 aprovada no senado pela liderança da bancada ruralista, diria que essa sim foi diferente do documentário de Yann Arthus-Bertrand. Este último, um soco no estômago, a MP, um chute mais embaixo. Depois do filme, não posso dizer que me desanimei, mas quase, pois após encher nossos olhos com o desastre que a humanidade tem se esforçado em kilojoules pra estruturar, Yann apela para a união e que não há mais tempo para o pessimismo. E nisso concordo, espaço para o pessimismo havia antes de dar-nos conta da necessidade de reinvenção de nossa civilização. Agora, é tudo ou nada, mesmo tendo a bancada ruralista, a industria elétrica, o lobby dos transportes, o Ministro Lobão Termoelétrico, todos juntos jogando no outro time. Já não importa quem vai ganhar... importa em que time você quer jogar. Todos já estamos perdendo.

http://www.youtube.com/watch?v=tCVqx2b-c7U

Cabe também deixar algumas estatísticas muito ilustrativas, pontos nos quais servem de boas causas pra quem quer se engajar:

20% da população mundial consome 80% dos recursos do planeta
GEO4, UNEP (Organização das Nações Unidas para o Meio Ambiente) 2007

O mundo gasta doze vezes mais em armas do que em ajuda de desenvolvimento de países
SIPRI Yearbook, 2008 (Instituto Internacional de Pesquisa em Paz de Estocolmo) OECD, 2008 (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico)

5.000 pessoas morrem todos dias por beber água poluída. Um bilhão de seres humanos não têm acesso à água de beber salutar
UNDP, 2006 (Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas)

1 bilhão de pessoas passam fome
FAO, 2008 (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação)

Mais de 50% do grão comercializado ao redor do mundo é usado para ração animal ou biocombustíveis.
Worldwatch Institute, 2007 FAO, 2008

40% da terra cultivável é degradada
UNEP (Organização das Nações Unidas para o Meio Ambiente), ISRIC World Soil Information

A cada ano, 13 milhões de hectares de florestas desaparecem
FAO, 2005

1 mamífero em 4, 1 pássaro em 8, 1 anfíbio em 3 estão ameaçados de extinção. As espécies estão desaparecendo mil vezes mais rápido do que o ritmo natural de extinção
IUCN, 2008 (União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais) XVI Congresso Internacional de Botânica, Saint-Louis, USA, 1999

75% dos produtos da indústria pesqueira estão extintos, esgotados ou em risco de extinção.
Fonte ONU

A temperatura média dos últimos 15 anos tem sido a mais alta desde o início de seu registro
NASA GISS data http://data.giss.nasa.gov/gistemp/graphs/Fig.A.txt http://data.giss.nasa.gov/gistemp/graphs/Fig.A2.txt

A calota polar perdeu 40% de sua espessura em 40 anos
NSIDC, National Snow and Ice Data Center (Centro Nacional de Dados sobre Neve e Gelo), 2004

Poderá haver 200 milhões de refugiados do clima em 2050
The Stern Review: the Economics of Climate Change Part II, Cap. 3, pág. 77
http://www.hm-treasury.gov.uk/d/Part_II_Introduction_group.pdf


video

quinta-feira, 11 de junho de 2009

VIVA A MATA 2009
























O que é: A Fundação SOS Mata Atlântica promove mais uma edição do Viva a Mata - mostra de iniciativas e projetos em prol da Mata Atlântica, entre os dias 22 e 24 de maio, no Parque Ibirapuera, em São Paulo.

O evento comemora o Dia Nacional da Mata Atlântica (27 de maio) com uma grande exposição aberta ao público. Todas as atividades são gratuitas e a programação incluir palestras, estandes temáticos, oficinas, lançamentos de livros, apresentação de peças teatrais, além de várias outras iniciativas de dezenas de organizações que se reúnem para mostrar o que vem sendo feito pela conservação da Mata Atlântica Brasil afora.


O que voluntários como eu fazem... bom, não os como eu, os que trabalham de verdade:
Oficinas de plantio de mudas, painéis com temas sobre os ciclos hídricos, políticas públicas, a mata atlântica, e água no planeta; jogos lúdicos com as crianças incluindo artesania na sucateca, teatro para as crianças, mostra de projetos dos SOS para o público em geral além de suar a camisa pra montar, administrar, ajudar e desmontar tudo o que cabe ao grupo de voluntários (uffa).


O que eu fiz: de tudo um pouco, brinquei com as escolas públicas no jogo da reciclagem, me deliciei orando sobre as políticas públicas, cidadania, problemas urbanos, movimentos sociais, e claro, sempre fazendo a ligação a degradação dos nossos biomas, nossos quintais; tirei fotos, fui aos debates, acendi velas pra manifestação contra os 400 projetos de lei que tramitam no congresso tentando de alguma maneira derrubar vergonhosamente o nosso código florestal (irresponsavelmente, claro). Enfim, vivi cada pedacinho possível desse evento que apesar de cansativo, é a coroação do trabalho desta grande fundação que é o SOS.


A provocativa Faça "Xixi no Banho" foi o atrativo polêmico e engraçado da campanha de divulgação do VIVA A MATA desse ano, que traz, no mínimo, à tona, as revisões de hábitos que teremos que enfrentar nas discussões da Agenda 21. Você faz xixi no banho?


O mais delicioso de um evento como esse é não só a realização de um projeto bacana, mas a possibilidade de troca: de histórias, de informações, de sorrisos e emoções, em um público tão eclético quanto numeroso: 75 mil visitantes!



Ao que parece, até esta quinta edição, não foi possível em nenhuma delas dizer que alguma das anteriores foi melhor: o evento cresce ano a ano, em visitas, em amadurecimento e profissionalidade, em brado, enfim, do começo ao fim melhorando a cada ano. É o que opinam os mais velhos de casa, como o mestre Beloyanes Monteiro, regente da orquestra de voluntários e à frente desta a mais de 11 anos, é o que opina o publico que já participou dos eventos anteriores.


Pra mim, mais do que nada, foi uma grande oportunidade de repartir conhecimento no sentido da sensibilização à sustentabilidade (essa tão manjada e distorcida palavra). Uma ocasião ímpar para se exercer a cidadania. Minha fala no painel de políticas públicas terminava mais ou menos assim:"...e vocês sabem o que é educação ambiental? Educação ambiental é isso que estamos fazendo, trocando conhecimento e informações sobre o ambiente, pois é somente conhecendo é que podemos tomar partido. E é em ocasiões como essas que tenho a chance de falar pros outros o que está acontecendo... e vocês sabem o que está acontecendo? Existem 400 Projetos de lei tramitando no congresso, assembléias e senado atacando o código florestal. Projetos de lei que querem mudar a distância de mata a se preservar nas margens dos nossos rios, as matas ciliares, propondo que os atuais 30 m caiam para 5m, como o recém aprovado código florestal de Santa Catarina, a mesma Santa Catarina que a alguns meses pediu ajuda para todo o Brasil, pela condição catastrófica das enchentes e desmoronamentos ocorrentes, desmoronamentos e enchentes estes que em grande parte foram causados pela até então retirada das matas ciliares... projetos de lei aprovando a grilagem da Amazônia, projeto de lei perdoando a retirada da reserva legal garantida pelo atual (e bombardeado código florestal!". Neste momento, as crianças estavam olhando atentas pra mim enquanto eu olhava atento pros adultos que as acompanhavam. Os adultos por sua vez sempre emudecidos com as caras de brasileiro que até um tempo atrás eu também recorria, a de indignação seguida de resignação. E nessa hora, eu tirava o zap (gato pros paranaenses que jogam truco, como eu) da manga: "Mas há uma maneira de reverter isso, e vocês sabem como? Sim, porque quem faz lei é político, representando os interesses de alguém, que na sua grande totalidade não são os nossos. Mas sabe quem coloca e tira o político de lá? Somos nós através do exercício do voto, que deve ser consciente. Então como reverter isso: anote em quem votou, e acompanhe pelos próximos 4 anos, de tempos em tempos, os projetos no qual seu eleito candidato está trabalhando, e se no final desse mandato ele não trabalhou não por você, mas pelas gerações futuras, pelo seu filho ou neto, então tire esse cara de lá. São estes baixinhos aqui que merecem nosso empenho nesse sentido. Tenho uma filha de 12 anos e não gostaria de ter que responder-lhe com peso na voz, daqui a 20 anos, quando ela veja nossos quintais ambientalmente desertificados, com baixas produtividades de alimento e emprego, com escassez de recursos que nós não tivemos, o que eu fiz pra reverter a situação da mudança do código florestal quando isso aconteceu lá por 2009... e ter que dizer-lhe: não fiz nada do que estava ao meu alcance. Um voto de cidadania.". E assim terminava o speech!

Espero todos os leitores anos que vem lá... e Vivam as Matas!!!


terça-feira, 9 de junho de 2009

Pra começar a discussão

Nos próximos posts, falarei do evento do SOS Mata Atlântica no Parque Ibirapuera. Nesse momento, apenas o cito pois foi nesse evento que tive chance de conhecer figuras da peleja ambiental de peso, seja no jornalismo com o nome de André Trigueiro (que eu não sabia que além de tudo é professor da PUC) e o Zequinha Sarney, do Partido Verde. Numa das rodas de debate, o caudilho Mário Mantovani reuniu e mostrou a Frente Parlamentar Ambientalista. E isso não é um partido, seita nem grupo eco-xiita. O mês de maio e junho foram muito quentes na discussão ambiental, a tal ponto de colocar o atual ministro Carlos Minc do Meio Ambiente na corda bamba sem garantia de continuar no cargo, pela postura do presidente Lula. Há uma necessidade evidente de contra-articulação para combater a dita "bancada ruralista", que no meio parlamentar foi ferozmente representada pela deputada Biskatia Abreu (DEM-TO).
Foram tantas baixarias legislativas nesse interlúdio (da coroação do bárbaro novo código florestal de Santa Catarina até a legalização da grilagem na Amazônia) que realmente dá a sensação que estamos rapidamente retrocedendo a passos gigantes no nosso sistema de proteção ao ambiente (falo com o cunho dos 3 pilares da sustentabilidade e não como ambientalista).
Como vou falar de outros assuntos no mês que ilustram cada um dos acontecimentos da maneira mais sintética possível, vou copiar aqui o artigo da Miriam Leitão do dia 5 de Junho que ilustra bem o pandemônio que estamos enfrentando na questão ambiental no momento...

A INSENSATEZ

Coluna de Miriam Leitão, O Globo, Sexta 5/jun

O confronto entre ruralistas e ambientalistas é completamente insensato. Mesmo se a questão for analisada apenas do ponto de vista da economia, são os ambientalistas quem têm razão. Os ruralistas comemoram vitórias que se voltarão contra eles no futuro. Os frigoríficos terão que provar aos supermercados do Brasil que não compram gado de áreas de desmatamento. O mundo está caminhando num sentido, e o Brasil vai em direção oposta. Em acelerada marcha para o passado. O debate, as propostas no Congresso, a aprovação da MP 458, os erros do governo, a cumplicidade da oposição, tudo isso mostra que a falta de compreensão é generalizada no país. A fritura pública do ministro Carlos Minc, da qual participou com gosto até o senador oposicionista Tasso Jereissati (PSDB-CE), é um detalhe. O trágico é a ação pluripartidária para queimar a Amazônia. Até a China começa a mudar. Nos Estados Unidos, o governo George Bush foi para o lixo da história. O presidente Barack Obama começa a dirigir o país em outro rumo. Está tramitando no Congresso americano um conjunto de parâmetros federais para a redução das emissões de gases de efeito estufa. O que antes era apenas um sonho da Califórnia, agora será de todo o país. Neste momento em que a ficha começa a cair no mundo, no Brasil ainda se pensa que é possível pôr abaixo a maior floresta tropical do planeta, como se ela fosse um estorvo. A MP 458, agora dependendo apenas de sanção presidencial, é pior do que parece. É péssima. Ela legaliza, sim, quem grilou e dá até prazo. Quem ocupou 1.500 hectares antes de primeiro de dezembro de 2004 poderá comprá-la sem licitação e sem vistoria. Tem preferência sobre a terra e poderá pagar da forma mais camarada possível: em 30 anos e com três de carência. E, se ao final da carência quiser vender a terra, a MP permite. Em três anos, o imóvel pode ser passado adiante. Para os pequenos, de até quatrocentos hectares, o prazo é maior: de dez anos. E se o grileiro tomou a terra e deixou lá trabalhadores porque vive em outro lugar? Também tem direito a ficar com ela, porque mesmo que a terra esteja ocupada por "preposto" ela pode ser adquirida. E se for empresa? Também tem direito. Os defensores da MP na Câmara e no Senado dizem que era para regularizar a situação de quem foi levado para lá pelo governo militar e, depois, abandonado. Conversa fiada. Se fosse, o prazo não seria primeiro de dezembro de 2004. Disseram que era para beneficiar os pequenos posseiros. Conversa fiada. Se fosse, não se permitiria a venda ocupada por um preposto, nem a venda para pessoa jurídica. A lei abre brechas indecorosas para que o patrimônio de todos os brasileiros seja privatizado da pior forma. E a coalizão que se for$a favor dos grileiros é ampla. Inclui o PSDB. O DEM nem se fala porque comandou a votação no Senado, através da relatoria da líder dos ruralistas, Kátia Abreu. Mais uma vez, Pedro Simon (PMDB-RS), quase solitário, estava na direção certa. A ex-ministra Marina Silva diz que o dia da aprovação da MP 458 foi o terceiro pior dia da vida dela. "O primeiro foi quando perdi meu pai, o segundo, quando Chico Mendes morreu" desabafou. Ela sente como se tivesse perdido todos os avanços dos últimos anos. Minha discordância com a senadora é que eu não acredito nos avanços. Acho que o governo Lula sempre foi ambíguo em relação ao meio ambiente, e o governo Fernando Henrique foi omisso. Se tivessem tido postura, o Brasil não teria perdido o que perdeu. Só nos dois primeiros anos do governo Lula, 2003 e 2004, o desmatamento alcançou 51 mil Km. Muitos que estavam nesse ataque recente à Floresta serão agora "regularizados" . O Greenpeace divulgou esta semana um relatório devastador. Mostrando que 80% do desmatamento da Amazônia se deve à pecuária. A ONG deu nome aos bois: Bertin, Marfrig, JBS Friboi são os maiores. O BNDES é sócio deles e os financia. Eles fornecem carne para inúmeras empresas, entre elas, as grandes redes de supermercados: Carrefour, Wal-Mart e Pão de Açúcar. Reuni ontem no programa Espaço Aberto, da Globonews, o coordenador do estudo, André Muggiatti e o presidente da Abras (Associação Brasileira de Supermercados) , Sussumu Honda. O BNDES não quis ir. A boa notícia foi a atitude dos supermercados. Segundo Sussumu Honda, eles estão preocupados e vão usar seu poder de pressão contra os frigoríficos, para que eles mostrem, através de rastreamento, a origem do gado cuja carne é posta em suas prateleiras. Os exportadores de carne ameaçam processar o Greenpeace. Deveriam fazer o oposto e recusar todo o fornecedor ligado ao desmatamento. O mundo não comprará a carne brasileira a esse preço. Os exportadores enfrentarão barreiras. Isso é certo. O Brasil é tão insensato que até da anêmica Mata Atlântica tirou 100 mil hectares em três anos. Nossa marcha rumo ao passado nos tirará mercado externo. Mas isso é o de menos. O trágico é perdermos o futuro. Símbolo irônico das nossas escolhas é aprovar a MP 458 na semana do Meio Ambiente.

Desculpas pelo atraso...

Aos leitores, sinto muito por ter deixado maio em branco...
Estive coletando informações para vários assuntos a serem colocados aqui:
O inventário de Gases de Efeito estufa no Brasil: como estamos
AS ilhas de calor da Zona Leste de São Paulo: o que evitar nas grandes cidades
Afinal: o Eucalipto seca o solo?
Porque uma cidade arborizada é melhor?
Seminário de Produção Mais Limpa - São PAulo
Viva a Mata 2009 - SOS Mata Atlântica
O Bombardeio ao Código Florestal Brasileiro

Bom... dedico meu tempo agora À redação, já que lancei os temas...
E vamos atualizar a agenda!!!!

Namaste