sábado, 17 de outubro de 2009

MANIFESTO CONTRA O PROJETO QUE LIBERA A COMERCIALIZAÇÃO DE VEÍCULOS DE PASSEIO MOVIDOS A DIESEL

O Movimento Nossa São Paulo convida você a se manifestar contra o Projeto de Lei do Senado 656/2007, que libera a comercialização de veículos de passeio movidos a diesel no Brasil. Atualmente, o uso do combustível apenas em veículos pesados e utilitários é suficiente para matar 6 pessoas por dia, somente na capital paulista, e gerar custos de R$ 82,6 milhões com internações hospitalares pelo Sistema Único de Saúde (SUS), na Região Metropolitana de São Paulo. Não se trata simplesmente de uma manifestação contrária ao carro a diesel , mas, a favor da preservação ambiental e da saúde pública. Pois o projeto incentiva o uso do diesel de péssima qualidade disponível no país, além de permitir a ampliação da matriz energética proveniente do petróleo, para a qual já há alternativas menos nocivas à saúde das pessoas e do planeta, como o álcool, entre outras que encontram-se em desenvolvimento.

O projeto do senador Gerson Camata (PMDB-ES), que altera o art. 8º da Lei nº 9.478, de 6 de agosto de 1997, foi aprovado no dia 5 de agosto passado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. O texto está sendo avaliado agora pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), em caráter terminativo. Caso não haja nenhum recurso contrário por parte dos senadores, o projeto irá para a Câmara, sem necessidade de ser votado no plenário do senado. Se os deputados aprovarem, a lei irá para sanção presidencial. O presidente da Comissão, Senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), designou o Senador Delcídio Amaral (PT-MS) para ser relator da matéria.

Para evitar mais mortes e internações, e também o aumento de emissões de gases que causam o aquecimento global, é importante que a sociedade se manifeste contrária ao projeto o mais rápido possível, enviando e-mail para os senadores, em especial ao relator do projeto – Senador Delcídio Amaral e também aos deputados federais. Anexos os e-mails dos senadores e deputados federais. Repasse também esta mensagem para sua rede de relacionamento. Veja também o anexo do histórico da tramitação do projeto. Segue abaixo a sugestão de carta aos senadores e deputados federais e links para outros documentos.

Sugestão de texto aos Senadores(as) e Deputados(as) Federais

Prezado(a) Senador(a) / Prezado(a) Deputado(a)

Solicito o seu apoio no sentido de se manifestar contrário à aprovação do Projeto de Lei do Senado 656/2007, que altera o artigo 8º da Lei 9.478, de 6 de agosto de 1997, para permitir a comercialização de veículos de passeio movidos a diesel

Se o referido projeto for realmente aprovado, a indústria automobilística ganhará o aval para incentivar o consumo do combustível que, sozinho, é responsável pela morte de pelo menos 6 pessoas todos os dias somente na cidade de São Paulo. A informação é da Faculdade de Medicina da USP, que vem alertando insistentemente para os perigos do ar contaminado para a saúde da população. Além disso, de acordo com o Dr. Paulo Saldiva, líder da equipe de pesquisadores da Faculdade de Medicina, o custo anual gerado pelas internações hospitalares decorrentes da poluição veicular para o Sistema Único de Saúde (SUS) é de R$ 82.627.646,00 somente na Região Metropolitana de São Paulo. Se somarmos o total das regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre e Recife as despesas chegam a R$ 129.497.569,00. Estima-se ainda que, levando em conta a perda de expectativa de vida, os custos ao ano na cidade de São Paulo são de US$ 208.884.940,00. Cerca de 40% deste custo é devido ao diesel.

Enquanto a grande maioria dos países no mundo busca alternativas para “descarbonizar” os combustíveis com o propósito de mitigar a emissão dos gases responsáveis pelo aquecimento global, o projeto de lei aponta para o outro lado, representando um retrocesso inexplicável.

Agradeço antecipadamente o seu empenho, em favor da vida e do bem-estar do povo brasileiro.

Atenciosamente,

[Nome da pessoa física e/ou organização]

Links para alguns documentos:

Lei 9.478, de 6 de agosto de 1977

http://www.aneel.gov.br/cedoc/blei19979478.pdf

Projeto de Lei do Senado 656/2007, que altera o artigo 8º da Lei 9.478, de 6 de agosto de 1997, para permitir a comercialização de veículos de passeio movido a diesel

http://legis.senado.gov.br/mate-pdf/11797.pdf


Íntegra da carta aberta enviada no dia 22 de setembro (Dia Mundial Sem Carro) ao Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Senadores e Ministros. A carta foi assinada pelas organizações Amigos da Terra – Amazônia Brasileira, Greenpeace, Instituto Akatu, Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor – IDEC, Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, Movimento Nossa São Paulo, SOS Mata Atlântica e a Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente de São Paulo.

http://www.nossasaopaulo.org.br/portal/arquivos/cartaLulaSenadores.pdf

Cordialmente,

Movimento Nossa São Paulo

domingo, 11 de outubro de 2009

MST e Cutrale - Comentando a Semana

As pressões sociais continuam subindo. Ainda mais num mundo onde, ha 2.000 anos atrás (ano zero, nascimento de Cristo aproximadamente) eramos apenas 3% da população atual (vide Contador de pessoas instalado aqui no canto direito do blog).
Mas algumas são tão deturpadas pela velocidade fantástica de nossas notícias, que somos obrigados a ver as versões possíveis da notícia e sair com a enésima, ou seja, a nossa versão. Que numa democracia significa uma enésima parte das razões que nos levam a votar em alguém, multiplicadas por um fator de passionabilidade determinado apenas por nossos corações.
Então, vou dar a MINHA visão resumida do fato desta semana:
O Fato pela Mídia: (G1.com.br)
Cerca de 250 famílias do Movimento dos Sem-Terra permanecem nesta terça-feira (6) em uma fazenda produtora de laranjas em Borebi, a 309 km de São Paulo. No local, os manifestantes destruíram a plantação com um trator. Mais de 5 mil pés de laranja foram destruídos.

As famílias querem forçar a desapropriação da área. A sede foi tomada pelos sem-terra, que fecharam a entrada e picharam a portaria.

Havia uma reintegração de posse determinada por um juiz local, mas ele voltou atrás e disse que o caso é de competência federal. A Justiça Federal ainda não se pronunciou. Os sem-terra continuam ocupando a fazenda e vão permanecer na área enquanto não sair a decisão da Justiça Federal.

Segundo o MST:(http://diariogauche.blogspot.com/2009/10/mst-nao-nos-julguem-pela-versao.html)
3. Também ocupamos as fazendas que têm origem na grilagem de terras públicas, como acontece, por exemplo, no Pontal do Paranapanema e em Iaras (empresa Cutrale), no Pará (Banco Opportunity) e no sul da Bahia (Veracel/Stora Enso). São áreas que pertencem à União e estão indevidamente apropriadas por grandes empresas, enquanto se alega que há falta de terras para assentar trabalhadores rurais sem terras.

4. Os inimigos da Reforma Agrária querem transformar os episódios que aconteceram na fazenda grilada pela Cutrale para criminalizar o MST, os movimentos sociais, impedir a Reforma Agrária e proteger os interesses do agronegócio e dos que controlam a terra.

Segundo o INCRA: http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u636365.shtml

O superintendente do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) em São Paulo, Raimundo Pires Silva, disse ontem que estão irregularmente em terras da União todos os proprietários e empresas com fazendas no antigo Núcleo de Colonização Monções.

A área, de 50 mil hectares, fica no centro-oeste do Estado, entre os municípios de Iaras, Borebi, Agudos, Lençóis Paulistas e Águas de Santa Bárbara.

Ali está a fazenda de 2.400 hectares da Cutrale invadida pelo MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) na semana passada. Os sem-terra ficaram no local por dez dias, derrubaram pés de laranja e depredaram tratores, caminhões e imóveis da sede.

Segundo Silva, a região onde fica a fazenda foi comprada pela União em 1909 para instalar colonos. O projeto não vingou, e as áreas ficaram desocupadas, levando a um processo de ocupação irregular. O superintendente diz que o Incra, em 2003, foi condenado pela Justiça a implantar assentamentos no local. A partir daí foi feito um levantamento para identificar o histórico das terras. Os atuais ocupantes foram informados sobre a titularidade irregular.

"É um patrimônio público, pertence ao povo", disse Silva. Segundo ele, não foram verificados casos de falsificação de documentos e grilagem: as ocupações foram feitas de "boa-fé".

O Incra afirma que tentou acordo com as empresas. A Lwarcel Celulose reconheceu que sua terra era da União, propôs ficar ali e, em troca, deu ao órgão uma área em outra região. As empresas que chegaram a acordos são as únicas regularizadas, juntamente com descendentes dos antigos colonos do núcleo, segundo o Incra.

Na Justiça, há 50 processos questionando a posse das terras --entre eles o da Cutrale. Uma decisão da Justiça Federal entendeu que o órgão não tinha direito de reclamar a terra da multinacional, mas ainda não julgou se a propriedade é mesmo pública. O Incra recorreu.


Segundo a Cutrale: http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u636365.shtml
O diretor de relações institucionais da Cutrale, Carlos Otero, não quis polemizar: "Nosso foco agora é recuperar o que foi destruído." Ele descartou firmar um acordo com o Incra. Diz que a a Cutrale "é dona" da área e tem documentos.

Segundo eu mesmo, julgando e sentenciando:

1 - Cana para os mandantes da invasão de um espaço que, mesmo que venha a ser considerado da União, está produzindo divisas para a nação, empregos na colheita, na industrialização, na construção de máquinas agrícolas, na idústria de fertilizantes, na fábrica de óleos essenciais no Rio Grande do Norte, no escritório de várias empresas que comercializam derivados, nas Universidades que estão estudando os benefícios do D-Limoneno proveniente da Cutrale, enfim, uma cadeia de custódia interessante e muito maior que a puxada do Brasil Agrícola dos anos 60 com pouca tecnologia instalada.
2 - Para o Sr Raimundo Pires Silva, quer aparecer, pendure uma melancia no pescoço, como se dizia antigamente. Ou melhor, não brade em nome da justiça, algo que o INCRA resolveu investigar sobre 1909 em 2003. Porque não se aproveita e se divulgam (se é que se sabem) TODAS as maracutaias que se desenvolveram em 100 anos? Estamos falando de uma projeto de governo público que se deu em 1909? Quando o Afonso Pena ou Nilo Peçanha eram presidentes? E os escandalos agropecuários do nosso atual Renan Canalheiros? Será que estamos tão imaculados a ponto de revisitar nossa história dessa maneira e julgar 100 anos depois? Ao indivíduo, não se dá usucapião depois de 5 anos?
3 - Para a Cutrale, podem mostrar-nos os documentos que dão o direito a exploração destas terras?

sábado, 10 de outubro de 2009

The Fun Theory

Vivo pregando por aí: a realidade é uma só... as opções de encará-la é que são múltiplas. Encarar dificuldades de maneira apreensiva, com medo, estressado, desconfiado, certamente não possibilita que nossas maiores capacidades humanas sejam atingidas em prol de resolução dos nossos problemas diários. Então, nada como encarar tudo com sorriso, contando até 10... até 100 se for preciso. Porque as pessoas são muito mais abertas a uma atitude positiva que alguém com cara marruda. É um efeito em casacata. E assim criam se ambientes saudáveis... não aqueles climas tóxicos comuns onde as pessoas guardam seus interesses individuais e os mascaram por trás de cada ação.
Pra mostrar que a realidade pode sempre ser encarada de outra maneira e que as pessoas se contagiam toda a vez que o crú toma ares de sorriso, resolvi mostrar esta escada em Odenplan, Estocolmo.
A realidade é a mesma, só importa como a enxergamos e enfrentamos...

terça-feira, 28 de julho de 2009

Quedelhe a água?


A mais ou menos dois anos atrás, comecei a repensar de maneira profunda minha atividade profissional. Sentia uma necessidade de devolver à sociedade seu financiamento depositado através dos meus estudos de Engenharia Química numa Universidade Pública. E comecei a pensar em que segmentos meu conhecimento e habilidades teriam alguma relevância. Desse dia, saíram minhas áreas de interesse em atuar. E coloquei em primeiro lugar, num ranking de três, a área de conhecimento e recurso que a meu ver é o DNA da nossa diversidade.
Não é a toa que as pretensões de colonização extraterrestres da Nasa correm atrás da necessidade de uma constatação "vital": a existência de fontes de água, em qualquer estado físico. Esta pequena maravilha tri-atômica resultado da combinação de Oxigênio e Hidrogênio, carrega particularidades físico-químicas que permitem tecer a tênue linha da vida como ela é em nosso planeta. Seu comportamento anômalo, comparado a outras moléculas semelhantes como o sulfeto de Hidrogênio (H2S) da mesma família, permitiu fenômenos que foram altamente benéficos para o desenvolvimento da vida. Só pra citar um, o fato do gelo (seu estado sólido, só pra ressaltar) flutuar e não afundar, como seria de se prever por lógica, permitiu que durante a formação dos mares, uma capa protetora contra os raios ultravioletas viabilizasse o tempo e espaço para o desenvolvimento da vida no mar. Poderia ficar falando de várias e maravilhosas anomalias físico-químicas que permitiram o início de mecanismos de desenvolvimento na vida na Terra. Mas quero nesta resenha, dar um panorama rápido de como está nossa relação com este maravilhoso elemento.
Nossa dependência da água é transformada a aproximadamente 12.000 anos atrás, com a fixação do homem à terra, e início da agricultura. Em busca de alternativas energéticas, fomos obrigados, devido a uma seca de mais de 1.000 anos (Armas, Germes e Aço - Jared Diamond - 1997), a buscar outros alimentos que não oriundos da caça. O Homo sapiens começava de maneira sistemática a interferir na evolução genética dos seres vivos ao segregar e estimular o plantio de grãos que lhe traziam benefícios em sua dieta. O trigo e a cevada, presentes no Crescente Fértil, foram e ainda são os grãos que complementaram a nossa busca vitamínica e calórica. Criamos os pequenos e transformados ecossistemas que viriam a ser as pequenas plantações agrícolas e criadouros de suínos (M. Rosenberg - Un. Delaware). Em nossa iniciativa de domesticar plantas e animais, sentimos a óbvia necessidade de retirar do meio doses extras de água, acima da até então usada pra atender nossas necessidades metabólicas como indívíduos. Desde então até os dias de hoje, nosso consumo desse bem natural passou a ter um peso significativo no nosso meio de vida moderno. E está ligado intensamente à nossa produção de alimentos. Nossa distribuição de uso da água doce do planeta, segundo a ONU, é de 70% para a Agricultura, 20% para a Produção Industrial e 10% para consumo humano direto. E como já citei na minha outra resenha sobre a nossa sede energética que mantém nosso status moderno de civilização, há um novo concorrente nesta distribuição: a pressão dos biocombustíveis, na busca por fontes alternativas aos combustíveis fósseis.
Bom, não deveríamos preocuparnos, já que, apesar do nome por nós dado a este incrível planeta ser Terra, dois terços de sua superfície ser composta de água. Mas desses 1,6 bilhões de Km3, apenas 2,7% aproximadamente é água doce (OMS). Apenas 0,3% está disponível de maneira mais ou menos fácil pra uso, na forma de rios, lagos ou lençois subterrâneos de até 750 metros de profundidade. Com um forte agravante: estamos poluindo essa quantidade em tempos recordes. Nossa disponibilidade de água doce está diminuindo ao mesmo tempo que nossas necessidades por ela crescem exponencialmente junto à nossa explosão demográfica. O fenômeno do aquecimento global (independente do causador) traz mais uma incógnita a nossa capacidade de planejamento: mares inteiros de água doce estão neste momento evaporando e sendo carregados para longe de nossas expectativas de extração. Todo o ciclo hidrológico está vivendo um período de stress e as reservas estão sendo consumidas e não renovadas em suas fontes.
Segundo a OMS, dois quintos da população mundial não têm acesso ao saneamento básico, levando a epidemias em massa de doenças transmissíveis pela água. Metade dos leitos de hospitais do mundo está ocupada por pessoas com doenças propagadas pela água e de fácil prevenção segundo a própria entidade. A água contaminada é uma das causas de 80% de todas as enfermidades e doenças do mundo. Segundo Maude Barlow (Água, Pacto Azul, 2007, ed M Books, "na última década, o número de crianças mortas por diarréia ultrapassou o número de pessoas mortas em todos os conflitos armados DESDE a Segunda Guerra Mundial." A cada oito segundo, uma criança morre por beber água suja, e um bilhão de pessoas não tem acesso a água potável.
Essa disparidade não é democrática também. Segundo a OMS, o ser humano necessita de 50 litros/dia/hab para beber, cozinhar e fazer sua higiene. O norte-americano usa quase 600 litros/dia. O africano, 6 litros/dia. As fracas políticas públicas dos países em desenvolvimento também mostra seus pífios resultados: apenas 2% da água residual da América Latina recebe algum tratamento, e mais de 700 milhões de indianos não têm saneamento básico adequado. Na China, 80% dos principais rios estão em tal estado de degeneração que não apresentam mais condições para a vida aqúatica, e 90% de todas as águas subterrâneas sob as principais cidades está contaminado. Dos 25 países do mundo com a pior "oferta" de água limpa, 19 são africanos. Por conta desse panorama, milhares de angolanos morreram de uma epidemia de cólera em 2006.
Nesse pintura do holocausto, há os que apostem em soluções tecnológicas como a dessalinização por exemplo. Há de se colocar na conta das soluções, o dispêndio energético para que soluções como essas sejam minimamente viáveis. Existe o custo entrópico para que a Osmose Reversa aconteça e transforme agua salgada em água doce. Isso custa muitos mais dólares/m3 que os métodos mais convencionais usados por enquanto. Além disso, deve ser somados os custos da distribuição e manutenção das redes. Lembro-me de ter participado de uma apresentação da Suez em 2002, mostrando os resultados da priovatização das Águas de Manaus em seus 2 anos de operação. Seu maior desafio: reverter a quantidade de "gatos" no sistema de abastecimento. Era algo impressionante a quantidade de canos que retiravam água da principal adutora: o conflito social com a multinacional francesa estava escancarado. Apesar de hoje pertencer ao grupo Solvi, dissidentes da antiga Suez aqui no Brasil, ficou claro que as soluções neoliberais de mercado auto-regulatório, não foram suficientes sem o avanço de políticas públicas.
O desafio é imenso, o plano das nações em conjunto com a ONU é fraco. Os resultados são os mostrados. Desse jeito, não haverá explendor tecnológico: poderemos sucumbir antes de nossos antropocêntricos desejos de civilização por tratarmos o primeiro e mais precioso dos bens da vida como uma commodity inesgotável.

(Foto: Lynn Johnson)

segunda-feira, 27 de julho de 2009

O mundo nunca mais será o mesmo

A história de nosso grupo hominídeo, o Homo sapiens, começa entre 250 e 200 mil anos atrás, no Paleolítico inferior . As fontes de estudo ainda nos dão esta "pequena" margem de 50 mil anos de imprecisão. Convenhamos que com 50 mil anos e nossos neurônios, seríamos capazes de realizar muitas coisas. Mas na pré-infância de nossa humanidade, nossa relação com a natureza e a termodinâmica era muito diferente da atual (Arqueologia das Primeiras Culturas, John Gowlet,p 60). Como caçadores-coletores, dependíamos quase que exclusivamente da energia dos nossos músculos, auxiliados por ferramentas de pedra que herdamos intelectualmente de nossos parentes ancestrais Australopithecus, que surgiram a aproximadamente 2,5 milhões de anos atrás, no início do Paleolítico (K. Kris Hirst, Archaeology Guide). Nossa condição de sobrevivência se refletiu no número de indivíduos ao longo do tempo. Mas não quero me ater, nesta discussão, aos processos evolutivos da nossa espécie, num emaranhado de explicações antropológicas. Meu desafio aqui é traçar um paralelo entre nossa relação de crescimento demográfico e domínio das fontes energéticas. E para isso, vou simplificar nossa pacata coexistência com os recursos presentes na natureza, nosso modo de vida baseado na caça e coleta dos últimos 100.000 anos e nosso avanço energético a 12.000 anos atrás, berço de nossa civilização.
Nosso modo de vida é radicalmente transformado a aproximadamente 12.000 anos atrás, quando passamos de nômades caçadores-coletores a sedentários agricultores suíno-pecuaristas. Isso não se deu ao acaso e nem por lógica. Segundo Jared Diamond (Guns, Germs, and Steel: The Fates of Human Societies- 1997), uma provável e terrível seca de mais de 1.000 anos, no Crescente Fértil (atual Iraque), forçou as tribos caçadoras a buscar alternativas "energéticas" alimentares em meio a uma escassez de animais e plantas. Isso nos forçou ao advento da agricultura. Primeiramente plantando como complemento à caça, e num segundo momento, fixando-nos à terra e domesticando mamíferos pra nossa alimentação (suínos, segundo o arqueologista Dr. Michael Rosenberg da Universidade de Delaware). Os primórdios de nossa agricultura embasaram-se em nossa força e ferramentas, e logo, lançamos mão da força animal com o gado e cavalo domesticados (Saltini Antonio, Storia delle Scienze Agrarie, 4 voll., Bologna 1984-89).Nossa relação com a disponibilidade energética se multiplicou, e conseguimos uma maior eficiência na produção de alimentos, o que nos permitiu a organização em castas e uma explosão demográfica contínua e ininterrupta. Seguem-se as grandes civilizações, que ainda assim, embasavam seu modelo produtivo em uma matriz energética animal-escravocrata. Apesar de fontes alternativas como a madeira terem sido utilizadas para a produção de energia e produção de bens, de maneira sistemática durante toda a nossa história, nossa matriz energética não teve mudanças profundas até o advento dos combustíveis fósseis nos primórdios da revolução industrial. Segundo David Price, em 1995, "a energia extrasomática usada pelas pessoas por todo o mundo representa o trabalho de cerca de 280 mil milhões de homens. Ou seja, é como se cada homem, cada mulher, e cada criança em todo o mundo tivessem 50 escravos. Numa sociedade tecnológica, como os Estados Unidos, cada pessoa tem mais de 200 desses tais 'escravos fantasma'.".
Para fazermos um paralelo entre o nosso sucesso em termos de indivíduos e sua associação à disponibilidade energética, vou citar um ponto de referência na nossa pré-história. Segundo Stephen Oppenheimer (Out of Eden / the Real Eve - 2003), uma super erupção vulcânica do Monte Toba, Sumatra, a aproximadamente 74.000 anos atrás, teria causado um inverno nuclear de mil anos, cobrindo a India e Paquistão com uma camada de 5 metros de cinzas. Esse evento teria reduzido dramaticamente nosso grupo humano a apenas 10.000 adultos. Levaríamos o curso restante da nossa pré-história e mais 2.000 anos da nossa história, para alcançarmos uma população mundial de aproximadamente 5 milhões, no início da agricultura, e 200 a 300 milhões de indivíduos (David Price - Energia e Evolução Humana - 1995) próximo ao nascimento de Cristo, no ano zero. Um número significativo, porém árduo: de 10.000 a 200-300 milhões de seres vivos em 72 mil anos, mas com uma clara explosão demográfica em 8 mil anos. Levamos mais 1650 anos para duplicarmos a população para 500 milhões de habitantes, através de nossa organização social, tecnologias e resistência a doenças. Mas é com o advento do combustível fóssil que a sorte deste grupo dá uma guinada evolutiva. Em 1800, apenas 150 anos após, chegamos à marca de 1 bilhão de habitantes. E em 1930, 130 anos passados, duplicamos de novo. Trinta anos após, em 1960, éramos 3 bilhões.
Nasci em 72. O mundo já havia se enfrentado duas vezes em grandes guerras. Nosso sistema político, tornado-se complexo. Nossa maneira de gerar riqueza, funcionando a todo o vapor, criando a nova e moderna religião econômica. Campos da ciência explodiam em conhecimento, saúde, genética, robótica, astronomia. No ano em que nasci, já éramos 3,8 bilhões (UN report data - 2004). A riqueza associada a nosso sucesso nos trouxe maiores expectativas de vida. Mas toda essa opulência tecnológica tinha um sócio vitalício: a energia. Não é a toa que várias correntes científicas defendem o cunho, estamos vivendo a era energética. Nossa matriz energética atual é basicamente composta de combustíveis fósseis. Os combustíveis fósseis são basicamente, o resultado da captura energética solar, em todo o seu ciclo da pirâmide alimentar, guardado nas profundezas do nosso planeta, como resultado da transformação da energia contida nos fótons em hidrocarbonetos. Na nossa adolescência energética, a 300 anos atrás, abrimos a caixa de Pandora e descobrimos a energia barata e abundante. Aprendemos a coletá-la, transmiti-la e armazená-la de diversas formas para que a utilizássemos como nos conviesse. Chegamos, através disso, a aurora genética. Nosso domínio da energia, produção de alimentos e geração de riqueza nos trouxe até aqui. Somando-se todos os cientistas da humanidade em nossa história até o início do século XX, não são páreos os números para a quantidade de cientistas vivos produzindo conhecimento neste instante.Os números não mentem, no transcorrer destes meus 37 anos vividos em nosso planeta, assisti e continuo vivenciando os sucessos e desafios decorrentes deles: já somamos 6.774.020.072 humanos segundo a ONG CountTheWorld. Quase 3 bilhões a mais desde que nasci ou quase o dobro. Nunca na nossa história tivemos um patamar parecido. Nunca também multiplicamos exponencialmente nesta velocidade nossa necessidade de manter a razão energética por habitante e conseguir recursos naturais para manter nossa fome egocêntrica. Aonde esta curva nos levará? Senão a um colapso ou uma política de danos aceitável, Raymond Kurzweil, inventor e futurista norte-americano renomável, dá as nuances de nossa pintura em seu livro “Fantastic Voyage: Live Long Enough to Live Forever”: nos próximos 20 a 50 anos, nosso mundo verá transformações significativas, como as do século XX inteiro, acontecerem 32 vezes. Pois é, quem viver, verá.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Matas legais

É coisa do passado, eu sei. Mas parece que quando se fala em desenvolvimento sustentável, infelizmente uma maioria arrebatadora enxerga esse conceito como vanguardista ou utópico. Por várias razões e interesses (muito deles obscuros), a consciência popular ainda não consegue ver a diferença entre crescimento e desenvolvimento. E a classe política apenas ajuda a confundir. É o caso do novo código ambiental catarinense, que dentre outros absurdos, promulgou a lei que permite a redução do corredor das matas ciliares de 30 metros para 5 metros (ou seja, uma árvore de largura) e a isenção do reflorestamento dos 20% da reserva legal num período de 20 anos (como está no Código Florestal Nacional, de 1965). Tudo isso com o pano de fundo da "necessidade" de desenvolvimento do estado. Balela e confusão. O setor de Papel e Celulose, agente do agribusiness através de plantios de monocultura de pinus e eucalipto, já sabem, depois de anos de estudo, que promover a biodiversidade é benéfico para seu negócio. A criação de RPPNs e APPs ajuda no controle de pragas, fator vivo nas monoculturas. Nada como deixar que a natureza dê uma mãozinha. Esses exemplos vêm ano a ano ganhando hectares em todas as corporações do setor da celulose brasileiro. Abaixo, um exemplo nesse sentido advindo do grupo Klabin. Serve para mostrar que político safado e burro, chega a dar um punhado suficiente pra mudar a lei. Talvez esteja na hora de prestarem atenção que eles estão ideológica e tecnologicamente afastando-se cada vez mais dos resultados do desenvolvimento. Se até a indústria já está percorrendo o caminho inverso, fica de novo a pergunta: quem é que eles estão representando?

Klabin comemora resultados do Matas Legais

09/07/2009 - O Programa Matas Legais, iniciativa da parceria entre a Klabin, maior produtora e exportadora de papéis do Brasil, e a ONG Apremavi (Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida), completa o primeiro ano de atividades no Paraná com importantes resultados para o meio ambiente. De seu lançamento, em junho de 2008, até maio deste ano, o Programa já distribuiu mais de 79 mil mudas de espécies nativas, quantidade suficiente para recuperar mais de 30 hectares de matas, e promoveu a demarcação de 188 hectares de Áreas de Preservação Permanente (APPs), uma das prioridades do Programa.As mudas de espécies nativas distribuídas a partir de setembro do ano passado foram plantadas em 212 propriedades rurais paranaenses após a etapa de estudo e mapeamento das áreas. As propriedades desta fase do Programa são localizadas nos municípios de Curiúva, Sapopema, São Jerônimo da Serra, Congonhinhas, Figueira e Ibaití. Também nos municípios de Reserva e Ventania algumas propriedades receberam projetos-pilotos especiais do Programa.Por meio do Programa Matas Legais, os pequenos e médios produtores rurais recebem a orientação para planejar suas propriedades em atendimento à legislação ambiental. Eles também aprendem a conciliar a formação de matas ciliares saudáveis e a recuperação de áreas degradadas com a prática de outras atividades agrícolas produtivas. Este modelo sustentável contribui para o equilíbrio do ecossistema local e para o aprimoramento das atividades de florestas plantadas. O objetivo é, nos próximos anos, estender as atividades do Matas Legais para os demais produtores rurais já integrantes do Programa de Fomento Florestal da Klabin no estado.A assistência técnica é realizada em campo pela equipe de profissionais da Apremavi. “Além dos benefícios ambientais, há aspectos econômicos e sociais de imensa relevância pois o Matas Legais permite geração de renda aos produtores e a preservação do meio ambiente”, enfatiza Miriam Prochnow, coordenadora de Políticas Públicas da Apremavi. “Os resultados demonstram que é possível colocar em prática a legislação ambiental aliada à sustenatbildiade”, finaliza. Miriam explica que muitos integrantes do Programa são de assentamentos, que passam a adotar um modelo sustentável. Um bom exemplo é a propriedade de Augustinho Fernandes Quevedo, no assentamento Paulo Freire, em São Jerônimo da Serra. “O Matas Legais é muito importante para que o agricultor possa ter fazer seu trabalho e ter sua renda de uma forma correta. Hoje, trabalho com leite, milho, soja, trigo e tenho 4,5 alqueires de florestas plantadas na minha propriedade”, diz. “E desde que entrei no Programa, plantei mais 400 mudas de espécies nativas. Se todos fizerem a sua parte, o meio ambiente é que sai ganhando”, completa.De acordo com Carlos Mendes, gerente de Pesquisa e Planejamento Florestal da Klabin, o programa também inclui ações de educação ambiental. “Trabalhar a consciência ecológica das comunidades é uma importante iniciativa para a conservação do patrimônio natural paranense, principalmente no longo prazo”, completa. O programa incentiva a preservação da Mata Atlântica e a introdução de espécies como araucária, imbuia, canela-preta, sassafrás, cedro, canjerana, ipê-amarelo, ipê-roxo, entre outras, sendo algumas delas ameçadas de extinção. “A recuperação das matas ciliares permite a formação dos corredores ecológicos de matas nativas, que, por sua vez, favorecem a manutenção e incremento da biodiversidade local”, explica.A iniciativa está em sintonia com a Política de Sustentabilidade da Klabin, pela qual a empresa se compromete a assegurar o abastecimento de madeira plantada para suas fábricas de forma sustentada, preservando os ecossistemas naturais associados. “A companhia aposta no Programa Matas Legais, em parceria com a Apremavi, e em seus benefícios para o meio ambiente e para as comunidades. Assim, trazemos o meio rural e suas comunidades para participar de nossa cadeia produtiva de forma sustentável”, finaliza Mendes. Celulose Online.

Planejou com o Lula...

Brasil Ecodiesel fecha usina no Ceará

A usina de biodiesel da Brasil Ecodiesel, em Crateús, no sertão central cearense, fechou suas portas por problemas financeiros e ambientais. Inaugurada, em janeiro de 2007, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a unidade estava parada havia seis meses.
O fechamento da unidade foi anunciado, na última sexta-feira (10), na Assembleia Legislativa do Ceará, pelo deputado Hermínio Resende, que afirmou que a empresa estaria inclusive com as contas de água e luz atrasadas.
De acordo com o prefeito de Crateús, Carlos Felipe Saraiva Bezerra, a empresa teve seus problemas agravados com a queda do valor das ações na Bolsa de Valores, que no começo eram avaliadas em R$ 12 e agora estavam custando apenas R$ 0,80.
Problemas financeiros
A usina tinha capacidade instalada de produção para 10 milhões de litros de óleo por mês, mas, desde sua inauguração apresentava problemas em adquirir matéria-prima.
Amparada no programa do governo federal de desenvolvimento do biodiesel, a usina deveria incentivar a produção de mamona no sertão cearense. Para cada hectare plantado, a usina recebia R$ 200. Mas, apesar dos subsídios recebidos, a empresa sequer conseguia pagar o preço mínimo do quilo da baga do produto aos pequenos agricultores da região. Como o plantio de mamona não deslanchou no município, a unidade passou a adquirir, então, soja e dendê no Piauí e na Bahia.
Na opinião do presidente da Ematerce (Empresa de Assistência Técnica e Extensão do Ceará), José Maria Pimenta, o problema financeiro provocou o fechamento da usina. "Nenhuma empresa fecha se estiver dando lucro", comentou.
Com informações da Agência Estado
Fonte: Campo News