domingo, 29 de março de 2009

Depois da pegada ecológica, a pegada de água

Lendo o blog do meu blogueiro preferido, o Denis Russo Burgierman da VEJA.com, peguei uma citação ao site GOOD (http://www.good.is) e me deparo com este conceito que deriva da tradicional pegada ecológica e que me pareceu um bom e atual indicador.
Há essa febre entre os ecochatos de medir o impacto de tudo que se faz através de "equivalentes de gás carbônico", uma vez que este é um dos grandes vilões dos GEE (Gases do Efeito Estufa). Basicamente, transformam-se emissões em processos para um equivalente em CO2, para que tudo possa ficar facilmente mensurável em relação ao Efeito Estufa, e com isso, possam se comparar quão danosas atitudes ou produtos sejam em relação ao efeito estufa. A este indicador se nomeou "Pegada Ecológica" (pegada de deixar pegadas, não do verbo pegar) ou em inglês "Ecological Footprint", que logo derivou para a mensuração "Pegada de Carbono", referindo-se ao gás carbônico e intimamente ligada aos combustíveis fósseis, basicamente compostos de hidrocarbonetos. Tenho que ser sincero: exige uma linha de explicação e raciocínio para que o conceito seja digerido... não por alguém com 3o grau completo, mas para uma criança ou leigo no assunto, sim. Na sua essência, a medida da Pegada de Carbono tem mais a ver com o resíduo gerado por nossas ações.
Então, indo ao assunto depois desta chata introdução, simpatizei com o que este site ilustra: a Pegada de Água, ou em outras palavras, a medição de água necessária pra concretizar nossas ações ou obter produtos por nós utilizados. O conceito, neste caso, tem a ver com quantidade de recursos utilizados, que por fim é outra maneira de medir nosso efeito antrópico sobre o ambiente. Confesso que gosto mais saber quanto consumo do que quanto gero, pois no fundo no fundo, não tenho tão claro se os CO2 equivalentes gerados em qualquer ação minha ou produto consumido por mim serão absorvidos pelo plâncton dos oceanos ou árvores da mata atlântica. Isso porque tenho que pensar que CO2 entra numa trama que tem muitos desdobramentos: desde sua utilização como matéria prima para a fotossíntese até o próprio efeito climático em voga. Mas quanto consumi de água num ato me é mentalmente mais simples de entender, pois é uma medição direta de quanto estou extraindo de um bem que sei o quão necessário é pra manutenção da vida. É claro que este indicador não é tão completo por si só, pois não abrange se a água é potável ou não, e outros efeitos colaterais indesejados para o planeta que não envolvam o ciclo hidrológico (será que não? Acho que pela Teoria de Gaia do James Lovelock, não dá pra dissociar os assuntos).
De qualquer maneira, por ter essa consciência da importância da água a tal ponto de ser o primeiro recurso a ser extenuamente procurado em Marte para uma futura exploração humana, caiu nas minhas graças medir quanto de água é necessário para qualquer coisa. Acho que ainda será motivo de medição de várias interações e quiças uma simplificação de conceitos de analise de ciclo de vida dos produtos. Segundo o relatório “As empresas no mundo da água – cenários para 2025”, do WBCSD (World Business Council for Sustainable Development), prevê que, por volta de 2010, os países exigirão a divulgação pelas empresas das suas pegadas de água.
Você sabia que para fabricar um litro de Coca-Cola no Brasil, são necessários 2,10 litros de água?

Pois é, clique sobre a imagem abaixo e veja algumas ilustrações da pegada de água em coisas simples do dia a dia...


http://awesome.goodmagazine.com/transparency/web/trans0309walkthisway.html

segunda-feira, 16 de março de 2009

Terminou o dia... e não fiz nada!

A algum tempo venho num difícil exercício zen de livrar-me de um dos elementos que julgo fazer mal à saúde e bem estar: a culpa. Esta daninha psiqué que esteve inerente ao comportamento humano, parece ter crescido dentro de nossa sociedade à medida que evoluímos organizacionalmente. Não sou estudioso do assunto, mas posso apontar que parte do poder (e me refiro à igreja, seja qual seja) tem-se utilizado desta ferramenta psíquica como instrumento de manipulação das massas nos últimos 2 mil anos, pelo menos. Herdamos assim este sentimento como resultado da auto-cobrança e o anexamos à nossa cultura. Em tempos onde o que vale é ser o mais competitivo possível, e nossos índices de auto-cobrança como rodovia para o sucesso devem ser muito maiores que os tempos em que éramos caçadores-coletores, acredito que passamos a carregar níveis de culpa que beiram a uma patologia. E assim, provavelmente a soma das culpas diárias sejam fatores que se somam a outras doentias patologias do nosso mundo moderno, e que juntas causem o stress e toda uma série de efeitos psico-somáticos como a depressão e afins.
Muito bem, salvo toda esta conjectura da minha parte que não tenho formação nenhuma em psicologia ou psiquiatria, o tema do "vai pro blog" de hoje é como me livrar desta maldita sensação de findar o dia e ter a triste e vazia sensação de não ter feito nada. Cada um deveria ter seu próprio remédio, que pode até ser a latinha de cerveja que te faça esquecer da culpa, a qual já está aberta à minha frente neste momento... Mas como sou das exatas, preciso organizar um processo para isso, de maneira que eu possa, no fim do dia, e em qualquer outro, visualizar meu dia de maneira que eu me dê por satisfeito (ou não, oh não!).
Minha proposta: ao fim do dia, escrever num papel 3 pontos importantes que justifiquem um dia "espiritualmente" produtivo (não, nada a ver com religiões, mas que sirvam de alimento à alma). São eles (ao leitor, sugestões são bem vindas, desde que não tenha mais de 5 tópicos pois isto já teria muita chance de virar mais uma possibilidade de culpa):
- O que eu fiz hoje (concretizei)
- O que aprendi hoje (me renovei)
- Com que me comprometi hoje (posterguei)

Vou colocar isto no meu mural de cortiça pra que eu possa vê-los nos dias que virão. Acho que, ao rever estes 3 pontos ao fim do dia, já me darei por satisfeito e poderei dormir com a cabeça leve... enfim, o dia valeu. Salvei tudo na pasta "Anti Culpa"...


domingo, 8 de março de 2009

Pessimismo ou Ceticismo?

Depois de digerir incomodamente as teorias do colapso descritas por Jared Diamond em seu livro "Colapso - Como as sociedades escolhem o fracasso ou sucesso", não há como não compartilhar com o sentimento de perplexidade recebido por sua turma de alunos da Universidade da California em Los Angeles (UCLA) ao chegarem à questão sobre o colapso de Rapa Nui (Ilha de Páscoa): "O que se passou pela cabeça do nativo ao cortar a última árvore da Ilha?". Discussões à parte sobre se esse evento se deu ou não, não deixa de ser emblemático: iremos até a última árvore? Ao fazer o estudo em relação à como lidamos com os problemas, resumidamente Diamond adota 3 possíveis estágios de diagnóstico:
1 - O problema será gerado no futuro por nossas ações atuais ou do passado, mas não temos bases ou experiências para antevê-lo.
2 - O problema já foi gerado por ações no passado ou atuais, mas não temos como enxergá-lo (medi-lo)
3 - Somos capazes de enxergar o problema, quantificá-lo, mas não de saná-lo.

Lendo o artigo "Perigo Real e Imediato" (Revista Veja, 12 de Outubro de 2005), diria que estamos frente a uma complexidade de efeitos de ordem ambiental, gerada por um sem número de ações antrópicas que se combinam e nos colocam numa quantidade de "possíveis" respostas às quais em muitos casos não nos deixam fugir da inferência, e caímos na tentação do credo, de achar e supor, por não termos base para poder prever como esta enredada trama de ações findará.
O planeta já passou por 5 ondas de extinção em massa, todas razoavelmente explicadas por nossa multidisciplinar história: geografia, astronomia, palinologia, paleonto, arque, e tantas outras logias. Mas estamos agora sobre a perspectiva de uma nova força motriz avassaladora, o homem e seus processos. Sobre esta ótica, a qual o cientista holandês Paul Crutzen propõe que já não estamos mais na idade geológica do Holoceno, e sim no Antropoceno, não há exageros a meu ver em rotulá-la desta maneira, mesmo não sendo totalmente acadêmico, pois há uma evidência forte de inflexão nas condições (maiores índices de CO2 dos últimos 420.000 anos, podendo chegar ao maior dos últimos 50 Milhões de anos; taxa de extinção de 1.000 espécimes por ano, quando a referência de "normalidade" é de 1 por ano, derretimento das calotas, etc.). Porém, é verdade também que não somos tão bons em prever desfechos de crises, sejam de ordem social, ambiental ou financeira. Nossa capacidade de processar uma gama complexa de parâmetros ainda está muito aquém de nos possibilitar prever o clima com alto grau de exatidão para dentro de duas semanas. Por nossa incapacidade de calcular esta interação de dados de alta complexidade, há uma tendência humana de prognosticarmos o desfecho de uma crise baseados no efeito mensurável atual, quando conseguimos medí-lo, e linearizar o desfecho. Diria até que estamos engatinhando quanto a reconhecer que temos um problema, mas é impossível prever como se darão os desfechos de nossa atual crise ambiental, moral, social e geo-política. Podemos sim (e certamente devemos) manter a esperança de que desenvolveremos tecnologias mais limpas, anteciparemos movimentos legais e políticos que nos permitam dar uma guinada ao rumo das coisas, mesmo que esta aconteça aos 45 minutos do segundo tempo. Quanto ao rótulo de pessimista ou cético, prefiro dizer-me otimista, sempre. Pois o que é ser pessimista neste caso? Perdermos 90% da bio-diversidade do planeta? Fome, guerra e auto-extermínio de mais da metade da massa humana? Início de uma nova era rumo à 7a onda de extinção em massa em mais alguns milhares ou milhões de anos? Impossível prever. Podemos sim, como bem utiliza o artigo, conjeturar. E nesse exercício, podemos linearmente "prevêr" inicialmente um colapso no nosso modo de vida como conhecemos, um impacto direto do ambiente à nossa estrutura de geração de riqueza, sustento e por que não, conhecimento. Conhecimento este, aliás, tido com orgulho por parte dos céticos, que ou se encaixam na 2a possibilidade de Diamond (o problema existe, mas não o vejo pois não tenho como efetivamente medí-lo) ou simplesmente também linearizam as possibilidades tecnológicas futuras, sem incluir parâmetros críticos à equação: nossas decisões como grupo humano. Vamos e venhamos, temos vários exemplos no desenrolar da história humana onde erramos nas decisões, e fomos sim, tantas vezes, em direção ao colapso de recursos, modos de vida sustentáveis, preservação da biodiversidade. Para as gerações anteriores que se criaram com a idéia de que a vida findaria por um holocausto nuclear iniciado pelo dedo de algum louco no poder das superpotências (nosso antigo dilema moral de viver e guerrear), estamos diante de um novo dilema, que é mais frio, mais sombrio, mais silencioso: somos todos donos do dedo.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Por Um Grau a Menos (One Degree Less)

Como funcionário de uma das empresas associadas ao GBC (Green Building Council) Brasil, acabei acompanhando o nascer desta campanha a um pouco mais de ano atrás. Agora ela já chega com um vídeo ilustrativo e tom de campanha em canais abertos que resolveram apoiar a causa. No site www.onedegreeless.org, é possível ainda ter mais informações. O vídeo é simples mas passa uma mensagem bacana. No site, é possível ver o embasamento científico dessa iniciativa que pretende colocar a cor branca nos telhados urbanos, com o intuito de refletir grande parte da radiação que hoje é absorvida pelas ilhas urbanas. O efeito que hoje naturalmente é conseguido nas capas polares através do gelo (que está derretendo), seria simulado através da pintura nos tetos. Por ser uma iniciativa tão simples e de baixo custo, acho que vale a pena tentar. Segundo os estudos de Hashem Akbari da Lawrence Berkeley National Laboratory, da Califórnia, transformar os tetos normais em "cool roofs" através da aplicação de uma tinta branca com reflexão igual ou superior a 0,6; permitiriam uma redução dos efeitos da incidência solar como a necessidade de refrigeração ambiente, em outras palavras conforto térmico com menor demanda energética.
No site da ODL (One Degree Less) é possível ver várias partes do estudo com citações dos ganhos possíveis (em termos econômicos) através desta simples iniciativa. Não gosto de contabilizar nada sobre o tema, porque se não conseguimos com certeza prever o tempo daqui a uma semana, me parece muito pretensioso acreditar que inicativas como essa resultem em números citados como: "Permanentemente aumentando a reflexão solar de tetos e pavimentos em todo o mundo pode gerar uma compensação equivalente à emissão de 11 bilhões de carros por ano. Isto significa tirar das ruas cerca de 600 milhões de carros por 18 anos.", ou até sejam capazes de diminuir um grau no planeta exatamente. Ainda sou mais partidário da instalação de green roofs (telhados verdes com plantinhas) pelo mundão afora, o que é muito mais natural. Mas como também estamos falando de custos mais altos para tal, uma medida intermediária como pintar de branco tetos planos ou com cores frias tetos inclinados, pode ajudar um dos mecanismos naturais que está desaparecendo com o derretimento da Groenlandia a ser compensado de alguma forma, nem que por inteiro.

Fica a dica então pra você que se não viu vai acabar tendo contato com mais essa nova iniciativa do Green Building Council Brasil para amenizar o efeito climático antrópico sobre planeta. Mais informações em http://www.onedegreeless.org. Assista o vídeo com o título "Correções". Bem bacana.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

O (Des)serviço da (Des)informação

Ao final de 2006 eu estava eufórico: em 2005 eu havia lido e tomado a grande chapuletada de Colapso, do Jared Diamond. Minhas idéias sobre pra onde nos levava o consumo e o que eu podia fazer contra isso como executivo simplesmente fervilhavam. Cheguei a dar de presente o livro a um dos meus melhores amigos porque sabia que se eu não o fizesse ele não o leria, e eu precisava discutir isso com alguém que tivesse nível para fazê-lo. Em 2006, veio Al Gore o ganhador do Oscar "Uma Verdade Inconveniente". No reveillon de 2006, ao rezar meus mantras e mentalizar as resoluções de ano novo, olhei para trás e sorri: 2006, o ano em que o mundo tomou conhecimento do aquecimento global!
Para um mundo onde a maioria dos cientistas acreditava até a década de 80 que uma nova idade do gelo estaria a caminho, acho que tivemos um furacão passando em nossa concepção e entendimento de um mundo mais próximo da Gaia de James Lovelock. Realmente fico contente por estas toneladas de informação virem a tona, mesmo quando dirigentes imbecis como o Bush perseguindo de maneira perversa os cientistas que se propuseram a estudar o fenômeno de maneira séria. Diria que estamos vivendo um tempo quase romântico ao vermos o novo presidente da nação mais desenvolvida do mundo bradar em sua primeira semana no poder as resoluções de transformação da economia via geração de tecnologias sustentáveis. Mas não quero na verdade falar da grande onda transformativa que está assolando o mundo acadêmico, a economia e as diretrizes do capitalismo futuro, isso eu deixo para os blogs que acompanho pois pessoas de grande gabarito tem explicado as novas tendências e tecnologias em prol do planeta com muito mais propriedade do que eu poderia.
O que sim quero falar é sobre o discurso dos que aproveitam-se do tema para vender idéias sem nenhum conteúdo, deturpadas e que chegam a ter o caráter dos piores tablóides sensacionalistas londrinos: a venda da desinformação!
Nesta semana dois blogueiros que leio com certa frequencia me alertaram para uma constatação por mim vivida: Ricardo Braga Neto (Saci) escreve no Lablogatorios/Tubo de Ensaio, uma ótima crônica http://lablogatorios.com.br/ensaios/2009/01/06/o-matador-de-passarinhos-separando-o-joio-do-alpiste/ entitulada o Matador de Passarinhos onde a síntese fica assim:

"Um exemplo fresquinho vem de uma entrevista na revista Época sobre o pesquisador Alexandre Aleixo, do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). Ainda que o conteúdo das respostas de Aleixo reflita a experiência e profissionalismo de alguém que é “apenas” o curador da coleção de aves do MPEG, a abordagem da entrevistadora induz o leitor de forma subliminar a se armar contra um absurdo óbvio: estão matando passarinhos indefesos e chamando isso de ciência. A repercussão não foi das menores: a entrevista, publicada em 31/10/08, foi a mais comentada na última semana no site da Época. A Assessoria de Comunicação do MPEG escreveu uma resposta ao editor da revista protestando com toda a razão. Aparentemente, tomando alguns comentários a esse artigo e o posicionamento incisivo da entrevistadora, o público não tem uma idéia clara da realidade de pesquisa básica sobre biodiversidade, seja na Amazônia ou em qualquer outro lugar do mundo."

Outra blogueira que sempre acompanho, a Claudia Chow do Ecodesenvolvimento http://lablogatorios.com.br/ecodesenvolvimento/2009/02/12/%e2%80%9cmercado-mais-verde-requer-profissionais-com-visao-estrategica%e2%80%9d/ escreve um excelente artigo de tema hilário pra não dizer lamentável sobre a requisição de "profissionais verdes", onde o coração do assunto gira em torno disso:
"Na primeira parte da reportagem conta todas as vantagens que tem um profissional preocupado com sustentabilidade e aspectos ambientais e sociais, fala o quanto eles estão na frente dos outros profissionais que não sabem de nada do assunto. Ai na segunda parte mostra uma pesquisa que diz que 70,9% dos processos seletivos não faz perguntas ao candidato sobre sustentabilidade, 59% afirma que é indiferente a participação do candidato em organizações ambientais e 42,4% nem pergunta se os candidatos participam de atividades ou programas sociais. Me diz onde o candidato leva vantagem se ninguém questiona-o sobre o assunto?".
Dois artigos sobre o desserviço prestado pelo jornalismo, com o intuito de embarcar nessa onda de falar sobre a sustentabilidade pra vender notícia e falar asneira.
Estou trabalhando em um projeto pessoal sobre a sucata eletrônica e rastreando os caminhos da mesma no Brasil, que no melhor dos casos, quando não vai pros lixões, é moída e jogada debaixo do tapete (vai pra China, e problema deles). Pra minha felicidade, já que estes temas não estão disponíveis no Google, estava eu semana passada no passando na frente de uma livraria e vi a INFO Exame do mês. Como é uma revista que compro uma vez por ano quando me interessam as tendências da tecnologia, peguei a na mão e comecei a dar uma olhada nos temas. Não é que fiquei louco ao ver o tema inferior esquerdo como chamada da capa?!?! "PLANETA TERRA - Onde vai parar a sucata tecnológica". Não tive dúvidas, vou comprar! Mas nesse impulso de consumir, ainda tive o vago lampejo de "peraí, talvez eu não queira consumir e pagar a revista toda por uma página de assunto...". Não tive dúvidas, procurei a página 42 e lá estavam, pelo que lembro, 5 páginas de foto de folha inteira (talvez uma ou outra com duas fotos dividindo a folha toda) e um pequeno parágrafo explicando a foto. Minha conclusão: caramba, são muito caras-de-pau de colocar uma chamada dessas na capa e mostrar uma reportagem tão pobre, onde o ditado uma imagem vale por mil palavras não ser aplica de modo algum. A reportagem não só não informa quase nada, com nem toca no assunto do real caminho da maior parte da sucata. Dá a impressão que está tudo sob controle e que o problema do lixo eletrônico nem chega a ser um problema, ao ver as coloridas e harmônicas fotos das baterias em pó que viram corantes de tinta conforme o artigo. No site da editora, ainda há um pouco de tom do problema que é, ao citar a IBM guardando por anos 200 toneladas de monitores e as baterias que ainda estão lá à espera de um parceiro que atenda às normas de descarte da multinacional americana.
Então, fica aqui a chamada pros vendedores de informação vazia, vou terminar com a frase da amiga Claudia Chow: "Jornalistas por favor, sejam coerentes e específicos, ajudem a educar as pessoas, de notícias pra enganar bobos estamos cheios e eu prefiro ler fofocas de artistas!"

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Luto Oficial


Foi um choque receber o mail do compadre Sucra com a notícia. Ontem vi a professora Mila, nossa docente de Fisico-Quimica da UFPR, chorando no enterro do filho na Rede Record e na sequência sobre o descaso que á o aparato policial em Itaparica. Passaram as imagens do Abelzinho... não há muito o que dizer. Mais uma pessoa próxima que perde para a guerra civil não declarada que assola o país a muito tempo. Uma estupidez, uma lástima, uma dor. Aos queridos mestre Mila e Abel, meu pedido que seu coração seja poupado de sofrimento. Ao irmaozinho Abel, que em paz descanse.

http://www.salvadorcharters.com/Portfolio%20Abel.htm

"RIO E SALVADOR - O corpo do velejador paranaense radicado na Bahia Abel Harbovsky de Aguilar, de 36 anos, foi sepultado nesta segunda-feira no Cemitério Jardim da Saudade, em Salvador. Proprietário de uma empresa para aluguel de veleiros, ele estava a bordo do catamarã Pico Alto quando a embarcação foi abordada por dois ladrões. Na tentativa de assalto, Abel, que dormia na proa, levou um tiro no peito e morreu na hora. O corpo ficou nove horas na proa do catamarã até que fosse removido pelo Departamento de Polícia Técnica (DPT). A polícia prendeu dois suspeitos de terem cometido o crime.

- É uma dor muito grande - disse a mãe da vítima, Mila Aguilar, que mora em Curitiba e acompanhou o enterro.

Parentes e amigos reclamaram da falta de segurança na marina de Ilha de Itaparica. Segundo o comodoro do Aratu Iate Clube, Jorge Nogueira, no ano passado ocorreram pelo menos 15 roubos na marina. A secretária de Turismo de Itaparica, Claudia Gordilho, coordenou ontem uma reunião com comerciantes que foram vítimas de assaltos.

- Queremos sensibilizar o governador para a situação da ilha que não tem delegacia, nem segurança e está com o desenvolvimento travado diante de tanta violência - disse.

No Rio, o escritor João Ubaldo Ribeiro, nascido em Itaparica e com casa na ilha até hoje, fez coro ao protesto:

- Assim como eu, muita gente que é acostumada a ir a Itaparica está sentindo uma consternação enorme, como se perdesse uma pessoa querida. O mundo está desmanchando. Eu culpo o governo pela inação. "

O velho dilema


O Velho dilema do ovo ou da galinha mais uma vez se coloca como entrave para a sustentabilidade dos nossos processos sociais, econômicos e ambientais. Apesar de pessoalmente acreditar que a pompa que gira em torno do discurso do governo acerca do PAC ser uma grande bravata de mídia sem respaldo de ação e verba orçamentária, o Programa de Aceleração do Crescimento tem grande parte de seus pilares baseados em investimento em infra-estrutura, com uma penca de projetos voltados à região norte, o que é extremamente preocupante. Preocupa sim pois estamos falando em cortar várias partes da Amazônia legal por rodovias para escoamento de produtos, o que fatalmente colocará uma grande pressão ambiental não somente no que tange às obras em si, mas todo o "progresso" ligado a isso: operários, agricultores, acesso à floresta pelos desmatadores, etc. Se haverá dinheiro suficiente para que estas obras sigam seu rumo é o grande ponto de interrogação, agravado pela crise financeira e crédito para tal. Mas confesso que ao ler a notícia anexada abaixo, me perguntei duas vezes se o Ministro Minc, ao sugerir aumento de consumo para que não houvesse corte orçamentário em sua pasta, para poder levar a cabo as análises de impacto ambiental desses mesmos projetos do PAC, estava se pronunciando com algum ou total tom de ironia. A pasta do governo ligada ao ambiente incitando o povo a "consumir muito" parece um contra-senso total, ainda mais vindo do ambientalista Minc. É o velho discurso desenvolvimentista que sempre nos dá a frustrante sensação de não termos alternativas para a equação do consumo (de recursos naturais) para geração de riqueza. Mais uma vez, o que se demonstra é a relevância do projeto de crescimento (in)sustentável do governo por não colocar prioridade ao "como" crescer. Não dá mais pra continuar com o discurso do desenvolvimento sem que isso esteja intimamente atrelado à questão ambiental...

"Minc: corte no Orçamento pode ameaçar obras do PAC

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, disse hoje que um corte grande no orçamento de sua pasta pode afetar seriamente o andamento das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). "Quanto mais obras, maior a necessidade de licenciamentos e mais gastos temos com deslocamentos pelo Brasil para fazer as avaliações necessárias. Se não tivermos dinheiro, não tem como liberar obras", disse.

Ele disse que, por enquanto, foi anunciado um corte de 10% no orçamento do primeiro trimestre do Ministério do Meio Ambiente, que era de R$ 350 milhões. "Um corte desses dá para ser administrado. Podemos segurar o rojão. Não haverá qualquer comprometimento de projetos. Mas depois vamos torcer para não haver mais corte. Quando eu ouvi que teria que ser cortado 75% quase tive um ataque do coração. Torço para que todos consumam muito para haver aumento na arrecadação, para não precisar haver mais corte", disse Minc em entrevista na inauguração de programa de revitalização ambiental na Ilha do Fundão, no Rio.
"

Fonte MSN Notícias (10-02-2009)